Fome...
Como já disse várias vezes, sou uma chorona assumida... e nem precisava dizer, pois quem me conhece já presenciou várias vezes chorando no final de filmes, diante de um mal entendido resolvido(ou não), de uma demonstração de afeto, até mesmo assistindo/lendo jornal...
Hoje voltei do almoço mais cedo e como tenho que tomar medicação a cada 30 min... por conta de um exame que vou fazer amanha, fique lendo os blogs dos amigos e alguns outros...
Entre esses outros encontrei um de nome super instigante... Cintaliga...
Acho a cinta liga um dos acessórios femininos mais perfeitos e interessantes... é como se mostrasse que você pode ser sensual sem ser/parecer vulgar...
Mas não é disso que quero falar... e sim sobre algo que me levou a um choro dolorido... Que me levou a pensar na fome... na fome de verdade... não que eu não soubesse que existe... mas é que nesse nosso mundinho cor-de-rosa, acabamos "dando de ombros" pra coisas tão sérias...

Transcrevi uma (grande) parte do texto:
"Na minha rua, a poucos metros da minha casa, existe um ferro-velho e um espaço contíguo onde funciona um lixão que trabalha com lixo reciclável. Lá trabalham muitos catadores de papel, e alguns deles são moradores de rua e dormem sob a marquise de uma oficina mecânica da minha rua também. São uns cinco ou seis que dormem ali.
A minha casa não é uma casa de pessoas com dinheiro, mas como diz o velho ditado "em terra de cego quem tem um olho é rei", eles acabam talvez entendendo que temos dinheiro, sim. Afinal, é uma casa até que bonita, em que meu irmão André, que é arquiteto, pôs todo o amor dele pela profissão, quando fez o projeto. Uma casa simples, mas bonita.
Eles tocam a nossa campainha inúmeras vezes por dia, pedindo comida. Eu não fico tanto aqui em casa ao longo da semana, mas aos sábados e domingos, apenas até à hora do almoço, chegamos a descer as escadas dez vezes, para ir falar com eles.
A gente não tem comida em casa, quase nunca. Só uma ou outra coisa para fazer lanches, quando temos. Levamos o que temos aqui no momento, que pode ser uma fruta, um sanduíche, um prato de sopa. E muitas vezes não levamos nada mesmo.
Eu acabei descobrindo, ao longo do tempo, que eles não vêm aqui apenas pela comida, já que muitas vezes a gente não tem o que oferecer de mais substancial, mas sim, que eles gostam da atenção que dispensamos a eles.
Obviamente não precisamos chamá-los pra morar com a gente (minha mãe é tão maluca que não duvido que fizesse isso, se tivesse condições financeiras), mas dar um pouco de atenção não nos mata. Então falamos um pouco, eles riem, brincam com nosso pastor alemão que fica no quintal, estão sempre bêbados e aí é fácil rir de qualquer coisa mesmo.
Esta semana fez um frio lancinante aqui e eu chorei compulsivamente quando os vi em volta de uma fogueira que eles fizeram no final da minha rua. Não são meus melhores amigos, mas são nossos conhecidos, são simpáticos, nos tratam com um respeito que poucas pessoas nos dias de hoje têm. Eles às vezes vão acompanhando a minha mãe do portão de casa à avenida que ela atravessa diariamente todas as manhãs, dando bom dia e perguntando se está tudo bem. E jogando os galanteios de sempre... "A senhora está muito bonita hoje, viu, dona, meus parabéns".
Outro dia eu comentei que ficaria feliz se o Maluf tivesse morrido junto com o ACM e meu amigo André Fiori disse que não acha isso legal, que não deseja a morte de ninguém.
Parabéns, André, pela sua benevolência, mas eu não quis dizer que DESEJO a morte do Maluf (Mas cá entre nós, desejo sim, e que seja lenta e dolorosa. Pronto, falei.), mas sim que TERIA FICADO feliz se ele tivesse batido as botas. E sabe por quê? Porque para cada pessoa sórdida como o Maluf, há pelo menos umas 500 na situação destas que batem à minha porta pedindo um simples prato de comida e uma fruta.
E eu não sou católica como você, que acha que o Maluf vai pagar por isso um dia no Inferno. Não acredito em nada disso, e pra mim o Maluf, o ACM, o Renan Calheiros, os banqueiros e seus lucros nababescos e fora da realidade deveriam mesmo é sumir do planeta. Todos juntos.
Queria um dia ter a felicidade de ver o Maluf com fome. Com esta fome que meus queridos catadores sentem, não com a fome entre o almoço e o lanche das quatro horas.
Hoje eu fiz uma coisa maluca: comprei cobertores em promoção pra minha casa e levei alguns antigos nossos pra eles. E conhaque (Eles bebem de qualquer forma, não venham falar que isso é errado. Bebem álcool puro, se não têm algo melhor). E pães, frios e frutas. Fiz um supermercado quase inteiro pra eles.
Quando eu levei, fiz questão de falar que infelizmente não posso fazer isso sempre, que foi uma exceção mesmo. Mas que estava fazendo isso de coração. Lamentei não ter feito antes, como na noite da fogueira, em que o máximo que fiz foi orar por eles (sim, não sou religiosa mas eu oro) e encher meu travesseiro de lágrimas.
Não dá pra descrever aqui, por mais que eu tentasse, a felicidade e o sentimento de gratidão que eu vi em cada um deles. Não dá."
*Acho que não preciso falar mais nada...


- Pior sentimento do mundo?
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